Ateorizando a lombra (2016)

No final de 2016, o pessoal do Cinerama, da Escola de Comunicação da UFRJ, Daniel Santiso, Lorran Dias e Max William Morais, me convidaram pra escrever um texto pra Semana Cinerama daquele ano. Tinha como tema “(re) existir”. O catálogo tá aqui. Senti uma vontade de mexer no jeito de escrever. Trabalhei dentro de uma estrutura numerada, jogando com ela, trabalhando pausas, sentidos e uma … Continuar lendo Ateorizando a lombra (2016)

Cinismo e abjeção ou poça clara de urina transparente -há repetição (crítica do espetáculo Compaixão. A História da Metralhadora, de Milo Rau)

*Recomendo ler meu o texto A banalidade do bem que escrevi sobre a A Repetição, do mesmo diretor. Tudo ali descrito se aplica à peça aqui em questão, e mais intensamente. O centro do teatro de Milo Rau reside no gozo da descrição da desgraça alheia e na reação da plateia que se sente incluída via cumplicidade cínica, pensando calada “eu sei, nós sabemos, é … Continuar lendo Cinismo e abjeção ou poça clara de urina transparente -há repetição (crítica do espetáculo Compaixão. A História da Metralhadora, de Milo Rau)

A banalidade do bem (Crítica do espetáculo A Repetição. História(s) do Teatro (I), de Milo Rau)

O teatro de Milo Rau se apoia no cruzamento entre a escolha de assuntos moralmente extremos (assassinatos bárbaros, genocídios) e uma meta-abordagem analítica que almeja funcionar como força de contraponto à possibilidade de exploração imoral dos acontecimentos abordados. Portanto, produz-se sempre um território movediço – onde uma sombra de exploração sádica ou fetichista sempre se avizinha – cuja aposta repousa num dissecamento frio dos acontecimentos, … Continuar lendo A banalidade do bem (Crítica do espetáculo A Repetição. História(s) do Teatro (I), de Milo Rau)

Dois minitextos de 2007: Tarachime (Naomi Kawase), Vers Mathilde (Claire Denis)

Conjunto de textos curtos escrito como parte da cobertura do festival É Tudo Verdade pro extinto Docblog.  A flor da pele Tarachime(Naomi Kawase, Japão, 43′, cor, Beta digital, 2006) Naomi Kawase é uma premiadíssima diretora japonesa cujos trabalhos dificilmente chegam por aqui. Bola dentro do ETV que trouxe seu filme mais recente, Tarachime, para a mostra Horizonte. Kawase já filmou a sua busca pelo pai … Continuar lendo Dois minitextos de 2007: Tarachime (Naomi Kawase), Vers Mathilde (Claire Denis)

“A educação pela pedra” – Paulo José em O padre e a moça

  Uma educação pela pedra: por lições; Para aprender da pedra, frequentá-la; Captar sua voz inenfática, impessoal (pela de dicção ela começa as aulas). A lição de moral, sua resistência fria Ao que flui e a fluir, a ser maleada; A de poética, sua carnadura concreta; A de economia, seu adensar-se compacta: Lições da pedra (de fora para dentro, Cartilha muda), para quem soletrá-la. Outra … Continuar lendo “A educação pela pedra” – Paulo José em O padre e a moça

Visões do inaudito (para o festival Novas Frequências 2015)

Escrevi esse texto à pedido do Festival de Arte Sonora Novas Frequencias. Tá no blog do festival http://www.novasfrequencias.com/2015/blog/   A nossa percepção sente a vida como um pacote contínuo: cheiros, imagens, temperaturas, paladares e sons. A arte, entretanto, faz o serviço contrário: bagunça tudo. Mas como? Pela repetição, corpo vai, no cotidiano encontrando padrões e associando um elemento ao outro, tentando organizar a zona. O cheiro … Continuar lendo Visões do inaudito (para o festival Novas Frequências 2015)

Quem controla os silêncios? (resposta a Daniela Thomas)

*Esse texto foi originalmente escrito em resposta ao texto de Daniela Thomas no site da Piauí. Não pude publicá-lo lá porque os responsáveis  acharam que seria justo que minha resposta fosse do tamanho do texto de DT. Acabei escrevendo outro, obedecendo ao limite proposto por eles, que está publicado no blog da revista em http://piaui.folha.uol.com.br/o-movimento-branco/  O debate ao qual Daniela Thomas se refere em seu texto … Continuar lendo Quem controla os silêncios? (resposta a Daniela Thomas)

Uma arqueologia do tempo – sobre “O Mundo” (de Jia ZhankgKe, Shijie, China, 2004)

Texto escrito para o catálogo da mostra “Jia Zhang Ke  –  A cidade em quadro”, realizada na Caixa Cultural Rio, Pela produtora Fagulha, em 2014. Mais informações aqui: http://www.fagulhafilmes.com.br/mostrajia/   Uma arqueologia do tempo Sobre “O Mundo” (Shijie, 2004) Juliano Gomes   O trabalho de Jia ZhangKe em seu quarto longa, precisamente batizado de O Mundo, é acima de tudo o trabalho de um historiador. … Continuar lendo Uma arqueologia do tempo – sobre “O Mundo” (de Jia ZhankgKe, Shijie, China, 2004)